segunda-feira, outubro 17, 2005
Ciúmes
É ferida ardida no peito
É facada mortal no coração
É raiva doentia queimadora
É raiva daquele que amamos
Ciúmes é uma dor sofrida
É um não querer do quer
É um não pensar do pensar
É um egoísmo da caridade
É um sofrer em qualquer idade
Ciúmes é a dor do amor
Ciúmes é o se ver no outro
É o querer de si o outro
E do outro o que de si quer
Ciúmes é o fogo ardido do amor
É a semente maligna do bem
É o cancer numa flor
Ciúmes é um desgovernado trem.
terça-feira, setembro 27, 2005
Geometria Imperfeita
Triângulo isóceles, lados e ângulos iguais.
Círculo arredondado, sem arestas.
Preto no branco, tudo no nada.
Perfeitamente perfeito; mas imperfeito.
quarta-feira, setembro 07, 2005
Vai e Volta
quinta-feira, setembro 01, 2005
Ventania Viajante
Em meio a pronomes relativos e a monotonia da existência
Namoro meu amor imaginário, viajando com os ventos
Trazendo solidão desejada à amarga sapiência
Alugada do resto da humanidade
Nos livros e textos de eternos pensadores.
Impróprios os desejos de estar em qualquer lugar
Ao mesmo tempo, conhecendo o impossível do conhecimento.
Vivendo como viajante peregrino pelo mundo
Inérte ao movimento das marés e das mudanças do tempo
Almejando o eterno e o fim do mundo
Jantando com famintos da natureza
Azeitando suas existências soltas e belas.
Ninguém por perto ou por longe do refúgio
Transitando distante daquilo que pertence
E existe nessa loucura esverdejante da mente.
quarta-feira, agosto 31, 2005
Vagando
Vazando o tempo pelas beiradas da nossa vida
Vendo passar a juventude gelada e frígida
Velozmente perdendo ar para o universo
Avolumando matéria no tempo imerso
No vazio do oceano das nossas existências
Veementemente questionando nossas certezas
Vivamente nos adocicamos na imensa
Vaga imensidão dos pensamentos humanos
Voltando inerciamente para o eterno
Valendo um beijo sabor inverno para
Valentes pessoas que saciarem suas angustias
Invocando amargos sons mudos da nossa mente
Verbalmente inexistentes nas unhas e garras
Vorazes das feras ferozes dos nossos sentimentos
Vridados em nossas ignorâncias cegas de
Vermes fédidos e nojentos do excremento.
terça-feira, agosto 23, 2005
O Cego
Amando a realidade que não podia ver
Desejando acima de tudo existir
Numa paz utópica; seguro em seu mundo
Sentia o frio, sentia o calor
Sentia os sons, sentia o que não via
Amava a sua incapacidade
Pois sentia que via a verdade
Não com os olhos,
Mas com todos os outros sentidos
E o mundo dele não era redondo ou azul
Não era um ponto no universo
Era algo que nem eu sei dizer
Nesse seu outro mundo -
Cego desde que nasceu -
Era mais feliz do que muitos que vêem
Mas que não sentem. Mortos na sua realidade
Perdidos em suas curtas vidas visionadas.
Que contradição trago-vos, meus leitores
Quem não vê, vê. Quem vê, não vê.
Não posso fazer nada a não ser aceitar
Essa verdade incontestável.
O Pato Malvado
Numa época de terror
Eis que surge um pato
Frívolo, queimado, um horror
Viajando por entre o mato
O bicho te atinge
Pega-te pelo rabo
Cai no chão e finge
Que morreu, mas
O morto é você
Otário-pato!
Bicho estranho esse pato
Fanho e malvado
Mata por prazer - no mato
Outro dia foi o Sr. Cevado
Seu sangue jorrou pro lado
Sujou todo o meu chão!
Cevado, querido, tenha cuidado!
Eu não suporto que sujem o meu chão!
E não adianta argumentar
Não me importa se morreste ou não!
O problema está em sujar
O meu amado alçapão!
quinta-feira, agosto 18, 2005
Mentiras Verdadeiras
domingo, agosto 14, 2005
Velhos Poemas
Segunda recomeça a rotina
Mais uma vez inicia-se denovo
Novamente; esquecer-se da sina
da linda vida de todo um povo
Um suspiro me separa
Da tristeza, do antigo
Não vejo nem raparo
O começo primitivo
Meu Deus! Foi como um sonho
Parece que acordei
Afinal, levantei?
Cara, quantos hormônios!
Sem título 2
Nas salas retangulares das escolas
Perdemos tempo com fúteis aulas
minuto a minuto, hora a hora
rapidamente envelhecemos na jaula.
Como pedras na praia
Ficamos a esperar
Milagre que caia
Do céu, sem lembrar
De agir, de fazer.
Que tédio sem noção
Que louca saudade
Quero tomar uma poção
Para desaparecer e em idade
qualquer ao seu lado viver.
quarta-feira, agosto 10, 2005
Extinção
sábado, julho 23, 2005
No Bar
Fumaça, luz opaca, vozes
Cigarros e charutos
Cervejas e vódikas
Ao fundo amigos jogam dardos
Risadas - nada de engraçado
O garçom trás mais uma cerveja
Esvaziada sem nem percebermos
Conversa sobre nada
Sobre corrupção
Sobre o mensalão
Sobre o sopetão
Sobre o capitão
Sobre um montão
De coisas que
Não significam
nada.
Naquele bar
Neste bar
Em todos os bares
Amigos se encontram
Perdem-se em nada
Riem até o amanhecer
Chegam exaustos em casa
Olham pela janela
E vêem a vida
Nascendo após a morte
Mais um dia
Mais trabalho
Para juntar mais dinheiro
Para viver
E, quando sobrar
Ir no bar.
No bar
No mar
No luar
A pensar
A viver
A morrer
No nosso tempo
Vivemos como podemos
Na solidão escurecida
De cantos perdidos
Na monotonia de cada ser
Consigo mesmo
Sem nada a perder
Jogamos para o alto
Nosso tempo,
Que já se foi, num segundo
E nossas vidas morrem
Como um corpo sem sangue
A pele embranquece,
Não tem mais vida.
Vida – perdida no bar
Bebendo sobre nada
Idéias vagas, sonhos não realizados
Futuro macabro
Inteligentes ignorantes da sabedoria
Criando conceitos errados
Caem na perdição da vida
E quando se olham no espelho
Não mais vêem homens
Mas ratos ignorantes
Que se acham importantes
Na filosofia de cada dia
E já é tarde para mudar
O passado é finito
O futuro, infinito
Não se muda o passado
Mas o presente,
Para o futuro ter esperanças
De ter-te como personagem
Nesses tempos.
Vá!Saia dessa mesa
Levante essa cabeça
Perdida e embriagada
Volte a pensar
Não deixe que eu te leve
Com os meus erros
Não seja igual a mim
Não, não ouça meus conselhos
Já fui como você
Hoje sou apenas um espírito
Vagueando pelos bares
Triste e insolente
Olhar vago
A ver outros como eu
Sujos em suas ignorâncias
Teóricos de bares
Conhecedores de todos os assuntos
Mortos na ignorância
Não me ouça!
Coma sua própria comida
E sofra seu próprio sofrimento
E, no final, junte-se a mim
Mais uma alma morta
Inútil, incapaz, imperfeita.
Beba para esquecer tudo isso!
Beba para entrar na vida
Esquecer que nada te agrada
Esquecer a solidão
Esquecer que morreu
No mesmo momento que nasceu
Não se preocupe
A noite ainda não acabou
Vai durar por toda a eternidade.
