Mostrando postagens com marcador frenesi. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador frenesi. Mostrar todas as postagens
domingo, julho 04, 2010
Trânsito
As palavras frequentemente falham naquilo para o qual elas foram inventadas: a expressão. As palavras são inóquas para dizer o essencial: são por vezes banais demais, não se ajustam - ai se entende o silêncio expressivo de Marlarmé; as palavras dizem pelo que não é dito - como, aliás, toda forma de expressão o faz. A expressão é esse dizer algo querendo dizer aquilo outro. E bom sucedido no seu exprimir é aquele que alude - ou ilude? - seus intelocutores a ainda um terceiro significado daquilo que foi dito, sendo este terceiro sentido o sentido mais importante e essencial. Ele é o sentido da expressão, ou, em grande estilo, é o sentido dos sentidos: compreendê-lo é compreender o motivo que levou a tal necessidade de expressão do enunciador. Essa compreensão, contudo, só pode se dar de modo aludido e em íntima conexão com os outros dois significados anteriores. Frequentemente, todavia, não apenas a tais sentidos mais diretos relaciona-se o sentido fundamental do expressado: é a falha do discurso direto, lógico, óbvio que o engendra. Justamente porque a linguagem é falha, o terceiro sentido aparece nela de modo genuíno, na medida em que a falha da linguagem alude à incapacidade expressiva da passagem do Um ao Outro. A linguagem é, pois, aquilo que paradoxal e metaforicamente alude à metáfora, sendo a paradoxa metáfora da metáfora.
sexta-feira, julho 25, 2008
Sulca-te o chão
É esta a solidão que desejas e te agradas? Essa solidão que se diz completa, que é desejo? Que completude é essa de anseio?
Ora corres ao MSN, ora ao orkut. O tédio – seria o tédio? – logo te levas de volta ao livro. Mas antes passas e vês – tentas fazê-los estarem sem estarem – aqueles que inconscientemente pensas. Mas é ao fazê-los estarem que sentes aquela aversão, aquilo que não te completaram tomando – como uma sombra – toda a sensação dos românticos momentos de volúpia e prazer, enxotando-os cruelmente. A situação passa-se a desesperadora, angustiante e, covarde que és, foges para o livro. Ali encontrastes combustível para a leitura. Como que freneticamente, devoras como um animal aquele conteúdo prosaico-imaginativo. Mas o devorar de tal material inextenso atiça-te como um raio demoníaco ao desejo pulsante e em brasas da presença deles. E retorna ao computador, para apenas confirmar a ausência deles. A situação se repete – é um ciclo vicioso. E quando, eventualmente, um aparece, agarras-te como um tamanduá vil a vitalidade – a esperança de vitalidade, de completude – daquela conversa privada-impessoal. E sentes, inexoravel e inevitavelmente a cruel sensação de perda de tempo. Pior; certamente porque nadas tens a falar e te constranges a situação e queres – precisas, urges – falar – algo, algo, precisa sair de ti, ser expelido, ergugitado, como um vômito fedorento – falas-te irracionalmente e te acovardas. Crias ódio. Queres estar solo novamente. Mas uma vez agarrado a tua vítima, a vítima está agarrada a ti. Não pela sua vontade; tu a ela, como uma pedra imóvel és quem estás preso, inerte. E inutilmente zangas-te e te acovardas – falas bugalhos. Ofendes-te. Perdes-te, no momento mesmo que diz achar-te. E, então, alienas-te em teu gozo que é o teu soma – e dorme-te para te acordar insabível que te sabes, acreditando piamente na potencialidade prazeirosa de tua solidão noturna, quando deverias, sim, estar a lutar febril e intelectualmente para estar tola e infantilmente deitado em uma cama de lençóis brancos e suaves cobertas, roçando-te ao corpo Dela, olhos fechados, mente branca, budista. Aí sim repousar-te-ás em solidão e serenidade.
Marcadores:
frenesi
Assinar:
Postagens (Atom)